analytics
MENU
O Labirinto Químico: Entre a Alucinação e as Grades, Bolsonaro Segue Preso
Por Radio XYZ
Publicado em 24/11/2025 17:21
Novidades

O silêncio de uma prisão domiciliar foi rompido não por um plano de fuga arquitetado, mas, segundo a defesa, por um colapso mental induzido por uma perigosa mistura farmacológica. O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após uma madrugada caótica onde a fronteira entre a realidade e a paranoia se desfez diante de uma tornozeleira eletrônica violada.

O episódio, que culminou na conversão de sua pena para o regime fechado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, revela um cenário de confusão mental. Em audiência de custódia realizada neste domingo (23), Bolsonaro relatou às autoridades que, sob efeito de medicamentos, acreditou piamente haver um dispositivo de escuta implantado dentro do equipamento de monitoramento que carrega no tornozelo.

 

A Madrugada do "Surto"

 

O incidente ocorreu na virada de sexta para sábado. Movido pelo que descreveu como uma “alucinação”, o ex-presidente tentou abrir a tornozeleira. Relatórios da Secretaria de Administração Penitenciária indicam o uso de ferramentas para manipular o dispositivo, e o próprio Bolsonaro teria mencionado o uso de um "ferro quente" em meio ao desespero de encontrar a suposta escuta.

Durante o depoimento à juíza, a narrativa apresentada foi a de um homem que perdeu o controle momentaneamente. Bolsonaro afirmou que, em determinado momento, “caiu na razão” e interrompeu a própria ação, comunicando o fato aos agentes responsáveis por sua custódia logo em seguida. Ele foi categórico ao declarar “não se recordar de ter vivido um surto semelhante anteriormente”.

 

O Coquetel de Medicamentos

 

A defesa aposta todas as fichas na tese médica para justificar o ato de violação, afastando qualquer hipótese de tentativa de fuga. Um laudo apresentado pela equipe médica do ex-presidente aponta para uma interação medicamentosa adversa.

Bolsonaro estaria fazendo uso de Pregabalina (indicada para dores neuropáticas) e Sertralina (antidepressivo), combinados com Clorpromazina e Gabapentina — estes últimos utilizados para tratar suas crises recorrentes de soluço. Segundo o relatório médico, essa combinação explosiva pode ter desencadeado efeitos colaterais severos, incluindo desorientação, sedação e as citadas alucinações.

A médica responsável pela prescrição, Marina Pasolini, visitou o ex-presidente na carceragem da PF e confirmou que a medicação foi suspensa imediatamente após o episódio.

 

A Decisão e o Cárcere

 

Apesar dos argumentos de que o ato foi fruto de uma "confusão mental" e não de dolo, a Justiça manteve a linha dura. O ministro Alexandre de Moraes, validado pela análise da custódia, manteve a prisão preventiva. O argumento de que o local da vigília convocada por seu filho, Flávio Bolsonaro, ficava a 700 metros de sua residência — o que inviabilizaria uma fuga discreta — não foi suficiente para reverter a decisão.

Agora, longe do conforto de sua residência, Bolsonaro ocupa uma sala na Polícia Federal equipada com cama de solteiro, banheiro privativo, mesa de trabalho e ar-condicionado. Enquanto a defesa protocola novos pedidos de prisão domiciliar "humanitária", o ex-presidente enfrenta a realidade concreta das grades, consequência direta de uma noite onde, segundo ele, a mente traiu a realidade.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!