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O SILÊNCIO DOS 132 ANOS: A QUEDA DE JORGE MESSIAS E O TERREMOTO POLÍTICO NO SENADO
Por Radio XYZ
Publicado em 30/04/2026 08:44
Novidades

Por: Investigação XYZ Notícias

O relógio marcava pouco mais de 19h nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, quando o painel eletrônico do Senado Federal proferiu uma sentença que Brasília não ouvia desde a República da Espada. Por 42 votos contrários e 34 favoráveis, a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi sumariamente rejeitada.

Para entender a magnitude do que ocorreu, precisamos olhar para o retrovisor: a última vez que o Senado barrou um nome indicado pelo Presidente da República para a mais alta Corte do país foi em 1894, sob o governo de Floriano Peixoto. Ontem, Jorge Messias não perdeu apenas uma vaga; ele entrou para um capítulo amargo da história constitucional brasileira.

A Anatomia de uma Derrota

A vaga, aberta pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2025, parecia destinada ao atual Advogado-Geral da União. Messias havia passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) horas antes, com um placar de 16 a 11. No entanto, o que se viu no plenário foi uma articulação de oposição que o Palácio do Planalto subestimou.

Nossa investigação nos bastidores aponta que a demora de cinco meses para o envio formal da mensagem presidencial ao Senado foi o combustível para a insatisfação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já sinalizava o descontentamento. Antes da votação, ele declarou:

"O que eu pretendo fazer hoje? Votar todas as autoridades do CNMP e do CNJ, chamando atenção para os senadores, para que eles possam vir ao Plenário, para que nós possamos ter um número adequado e expressivo de senadores e senadoras, para, aí sim, deliberarmos a Defensoria, o Tribunal do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal. Essa é a nossa decisão."

O Fator Surpresa

Enquanto o relator da indicação, senador Weverton (PDT-MA), previa um cenário otimista de 45 a 48 votos favoráveis, a realidade do painel mostrou um governo desconectado da temperatura real do Senado. O senador Eduardo Girão (NOVO-CE), um dos principais articuladores da rejeição, celebrou o resultado como um "triunfo da democracia" contra o que chamou de "viés político" da Corte.

Após o anúncio do resultado, que durou apenas sete minutos de votação, a reação do indicado foi de uma sobriedade resignada. Em nota, Jorge Messias limitou-se a dizer que o "Senado é soberano".

O que vem agora?

A derrota impõe ao Presidente Lula um custo político altíssimo e a necessidade de um nome de "convergência absoluta" para evitar um novo vexame histórico. A vaga de Barroso continua aberta, e o STF permanece com uma cadeira vazia, enquanto o centro do poder em Brasília tenta digerir o recado enviado pelos senadores.

O recado foi claro: o Senado não é mais apenas um carimbador de nomes.


Notas de Checagem e Fontes:

  • Dados da Votação: Confirmados os 42 votos contrários e 34 favoráveis (necessários 41 para aprovação).

  • Contexto Histórico: Referência às rejeições de 1894 no governo de Floriano Peixoto.

  • Citações: Falas de Davi Alcolumbre e Jorge Messias extraídas dos registros oficiais da sessão.

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