Por: Investigação XYZ Notícias
Goiânia, 3 de maio de 2026. Se o Setor Central luta para renascer com o projeto Centraliza, o seu vizinho imediato, o Setor Sul, trava uma batalha silenciosa para não desaparecer sob a sombra de gigantes de concreto.
Nossa equipe percorreu as "ruas-jardim" projetadas por Attilio Corrêa Lima. O que encontramos foi um cenário de transição brutal. Onde antes imperava o conceito de "cidade-jardim", agora vemos tapumes que escondem a demolição de residências históricas para dar lugar a empreendimentos que buscam o "CEP de ouro" da capital.
O "Nó" do Plano Diretor
A polêmica, que investigamos nos arquivos da Seplanh (Secretaria Municipal de Planejamento Urbano), reside na aplicação do novo Plano Diretor. O texto permite um aumento na densidade construtiva em áreas que, historicamente, eram protegidas. O resultado? Uma corrida do setor imobiliário por lotes que antes eram considerados "intocáveis".
Nossa investigação captou o desabafo de uma moradora que vive no setor há 40 anos, cujo depoimento resume a temperatura local:
"O que estão fazendo com o Setor Sul não é revitalização, é substituição. Estão trocando a nossa ventilação e a nossa história por paredões de vidro que só servem a quem pode pagar por andar alto".
O Impacto do "Eixo Anhanguera"
O ponto de fricção agora se desloca para o entorno do Eixo Anhanguera. Com a promessa de modernização do transporte e a chegada total da frota de ônibus elétricos, o valor do metro quadrado nessas margens disparou. No entanto, o Ministério Público de Goiás (MPGO) já sinaliza que está monitorando a "descaracterização do traçado original da cidade".
O promotor responsável pela área de urbanismo foi enfático em audiência recente:
"O progresso não pode ser um cheque em branco para a destruição do patrimônio urbanístico. O tombamento do acervo Art Déco não se limita aos prédios, mas ao conceito de cidade que Goiânia representa".
O Veredito XYZ
O domingo hoje é de contemplação, mas a segunda-feira promete novos embates na Câmara Municipal. O desafio de Goiânia em 2026 é decidir se quer ser uma metrópole genérica de arranha-céus ou se terá coragem de preservar os vazios urbanos e os jardins que a tornaram única. A "Cidade Viva" que o marketing oficial prega está, neste momento, sob o peso das britadeiras.