Por Ricardo Mello Com informações de Reuters e CNN Brasil.
Longe dos flashes oficiais e dos ritos tradicionais do Itamaraty, as pesadas portas da diplomacia internacional muitas vezes são abertas por chaves forjadas no setor privado. Nesta quinta-feira (7), quando o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva caminhar pelos corredores da Casa Branca para se encontrar com Donald Trump, o aperto de mãos entre os dois líderes carregará as digitais de um articulador silencioso: Joesley Batista.
A reunião de alto nível entre o Brasil e os Estados Unidos estava nos planos desde março, mas acabou atropelada pela urgência e pela tensão global da guerra no Oriente Médio. O adiamento, no entanto, não significou um cancelamento. Nos bastidores, a ponte continuou sendo construída. De acordo com informações reveladas pela agência Reuters e confirmadas pelas fontes da CNN Brasil, o empresário à frente do império da JBS atuou diretamente como mediador para assegurar que a agenda presidencial acontecesse.
Essa articulação não surge do vazio. Hoje, Joesley Batista desponta como o empresário brasileiro com o maior nível de intimidade e acesso ao epicentro do poder norte-americano. Sua influência em Washington ganhou contornos ainda mais nítidos recentemente, visto que Batista figurou como um dos doadores da suntuosa festa de posse de Donald Trump.
Mas o tabuleiro geopolítico do conglomerado da família Batista — que possui apetite voraz por negócios nas áreas de alimentos e energia — não se restringe à América do Norte. O empresário tem feito movimentos calculados no complexo cenário sul-americano. Em janeiro deste ano, ele desembarcou em Caracas para um encontro reservado e estratégico com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Na capital venezuelana, os negócios se misturaram à sobrevivência política. A pauta dessa reunião a portas fechadas girou em torno da estabilidade do governo provisório de Delcy, do termômetro de apoio do regime chavista à líder interina após a drástica captura de Nicolás Maduro, e, naturalmente, das perspectivas reais de investimentos da JBS no país.
A atuação de Joesley revela uma faceta fascinante do mundo moderno: a de que as fronteiras entre os interesses corporativos bilionários e as relações de Estado estão cada vez mais finas, redesenhando a forma como os países sentam à mesa de negociação.