Em entrevista densa e articulada à Rádio XYZ, o presidente estadual do MDB fez uma radiografia da política goiana, relembrou bastidores fiscais da gestão municipalista e defendeu a continuidade da aliança que transformou o estado.
GOIÂNIA — Política não se faz no grito de palanque, mas na ponta da linha orçamentária e no asfalto que liga o pequeno produtor à rodovia principal. Foi com esse tom pragmático e direto que Haroldo Naves, presidente estadual do MDB e uma das vozes mais experientes do municipalismo goiano, sentou-se à bancada do programa Fórum de Ideias, transmitido ao vivo pela Rádio XYZ.
Apresentado pela dupla dinâmica Márcia Mello e Ricardo Melo, o encontro fugiu dos roteiros protocolares de campanha. Por mais de uma hora, Naves traçou um panorama que entrelaça a história recente do MDB, os impactos da transição de Ronaldo Caiado para Daniel Vilela no Palácio das Esmeraldas e a encruzilhada que define as eleições no estado.
O fôlego dos municípios: do 1% do FPM ao asfalto no interior
Ex-prefeito de Campos Verde por três mandatos e ex-presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Haroldo começou trazendo à mesa a realidade de quem sentou na cadeira de gestor local: a escassez crônica de caixa.
Para ilustrar o peso de um representante preparado no Congresso Nacional, Naves resgatou a atuação de Daniel Vilela ainda como deputado federal, quando presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na época, articulou a histórica PEC que garantiu um repasse adicional de 1% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de setembro.
"O mês de setembro sempre foi o momento mais crítico para o prefeito, onde a arrecadação despenca. Esse 1% a mais representou praticamente um 15º salário para as prefeituras, garantindo recurso perene na ponta para saúde e educação. Isso nasce do diálogo institucional sério, não de politicagem de rede social", pontuou Naves.
A conversa avançou para as contrapartidas estaduais. Naves fez um contraste entre o passado recente de Goiás e a gestão atual, citando o fim de atrasos históricos em repasses de transporte escolar e assistência social, além da entrega de programas de recapeamento asfáltico, patrulhas rurais e habitações populares a custo zero em dezenas de cidades goianas.
A virada na saúde e o fim da "ambulancioterapia"
Um dos momentos mais enfáticos da entrevista tocou em um ponto sensível para o morador do interior: o acesso à medicina de alta complexidade. Rememorando a época em que praticamente qualquer urgência médica exigia horas de estrada até os grandes centros, Haroldo enfatizou a regionalização hospitalar.
Antes restrita a Goiânia, Anápolis e Aparecida, a malha de leitos de UTI hoje alcança 22 municípios goianos. Haroldo citou a conclusão e o custeio do Hospital do Centro-Norte, em Uruaçu — obra parada por duas décadas e que se tornou polo oncológico no interior —, além do plano de expansão na capital, com a criação do Hospital da Mulher onde funciona o atual Hugo e a compra de uma nova estrutura hospitalar privada pelo governo estadual.
"Acabou aquela lógica desumana da 'ambulancioterapia', onde tudo precisava ser despachado para a capital. Salvar vidas exige proximidade e estrutura funcionando", destacou.
Coerência partidária e a ruptura que virou união
Questionado sobre a relação do MDB com o poder, Haroldo foi categórico ao relembrar episódios marcantes da postura partidária. Ele relembrou a entrega de todos os cargos na Prefeitura de Goiânia em 2021, quando o plano de governo eleito começou a ser desvirtuado.
Essa mesma rigidez, segundo ele, pautou a aliança construída entre Ronaldo Caiado e o MDB de Daniel Vilela:
"Ficamos 20 anos na oposição em Goiás. Perdemos eleições, mas nunca perdemos a coerência nem a credibilidade. Quando nos aproximamos do governador Ronaldo Caiado, foi porque vimos um governo que recuperou as finanças, que não tolera corrupção e que cuida das pessoas. Não faz sentido ser oposição por mera vaidade política quando o projeto está dando certo", afirmou.
Sobre as movimentações no interior, como a adesão de prefeitos de outras legendas — a exemplo de Márcio Correia em Anápolis —, Naves explicou que a política moderna responde a resultados: "Mais de 220 prefeitos apoiam a continuidade porque o governo estadual entrega obras e parcerias republicanas, independentemente da cor partidária da prefeitura."
O alerta para o Legislativo: "Menos 'Leões do Zap', mais resultado"
Em um momento de reflexão direcionado ao eleitor, os apresentadores provocaram Haroldo sobre a eleição proporcional, frequentemente negligenciada pela população.
O presidente do MDB não economizou nas críticas ao extremismo de performance digital que tomou conta de parte da política:
"Precisamos parar de eleger os 'leões do WhatsApp', figuras que vivem de fake news, gritaria e agressão na internet, mas que não entregam um centavo de benefício real para o município. Governar exige sentar à mesa, debater orçamento e construir pontes."
Ele ressaltou a meta do partido de formar uma bancada expressiva e com critérios rigorosos de filiação tanto na Assembleia Legislativa (Alego) quanto na Câmara dos Deputados em Brasília, reforçando que um governador sem base sólida fica de mãos atadas para executar planos estruturantes e atrair verbas da União.
Representatividade técnica: a aposta no Subtenente Sérgio para a bancada federal
Ao aprofundar essa necessidade de qualificar a representação goiana em Brasília, Haroldo Naves destacou que a bancada federal precisa de nomes que fujam do discurso raso e tragam legitimidade técnica das bases. Foi nesse momento que o líder partidário evidenciou a candidatura do Subtenente Sérgio a deputado federal pelo MDB.
O militar foi citado por Naves como a síntese do parlamentar que o Congresso Nacional exige: alguém forjado no dia a dia da segurança pública e com habilidade institucional comprovada para dialogar com diferentes categorias e com a sociedade civil.
"O Subtenente Sérgio é um grande exemplo de liderança com capacidade real de diálogo. Ele demonstrou isso à frente de sua entidade de classe, articulando com diferentes forças da segurança e setores civis para conquistar avanços concretos. Não adianta Goiás ostentar a melhor segurança pública do país e não ter em Brasília representantes do próprio setor defendendo nossas teses e disputando o orçamento da União", frisou Haroldo.
Segundo Naves, a eleição de parlamentares com esse perfil é estratégica para atrair recursos federais diretos, fortalecer a governabilidade e assegurar que o modelo de sucesso da segurança goiana ganhe voz e sustentação orçamentária no Congresso Nacional.
"Goiás no Futuro Seguro"
Ao fechar a transmissão, Haroldo Naves sintetizou a tese central que tem norteado o discurso do grupo governista: Goiás construiu uma ilha de estabilidade fiscal, avanços educacionais no Ideb e liderança nacional em índices de segurança pública — conquistas que a população não deseja colocar em risco.
Defendendo a dobradinha com Daniel Vilela na liderança do Executivo estadual e Ronaldo Caiado no tabuleiro político nacional, Naves concluiu deixando um recado direto aos eleitores:
"O slogan 'Futuro Seguro' resume exatamente o sentimento de Goiás. A sociedade viu o estado sair do colapso fiscal para virar referência em segurança, dignidade social e infraestrutura. A escolha agora não é sobre discurso bonito; é sobre prática, entregas comprovadas e a garantia de que as conquistas das famílias goianas não vão retroceder."