a crônica política goiana, Marconi Perillo (PSDB) ocupa um capítulo à parte. Aos 63 anos e com quatro mandatos de governador no currículo, ele é o que os cientistas políticos chamam de "Gladiador político" em estado puro: aquele que não sabe — e não quer — viver fora da arena. Contudo, o cenário que se desenha para ele em 2026 passa longe de um passeio no parque. Marconi enfrenta hoje o que talvez seja o maior teste de estresse de toda a sua vida pública: a tentativa de um retorno ao protagonismo em um terreno minado por adversidades.
O Passado: A Máquina de Votos e o Desgaste do Poder
É impossível analisar Marconi sem olhar para o retrovisor. Em 1998, ele personificou a ruptura. Venceu o establishment com a promessa do "Tempo Novo", asfaltou rodovias, ergueu hospitais e criou redes de proteção social. Sua capacidade de articulação o manteve no topo por quase duas décadas. Mas o poder contínuo cobra uma fatura alta.
As sucessivas gestões trouxeram o natural desgaste de material. O fim de seu último mandato foi marcado por crises fiscais, paralisações no funcionalismo e o envolvimento de seu nome em investigações que, embora muitas tenham sido arquivadas ou prescritas, deixaram cicatrizes profundas na imagem do gestor intocável. O desgaste abriu as portas para o furacão Ronaldo Caiado, empurrando Marconi para a aridez da oposição.
Os Espinhos no Caminho: A Rejeição e a Máquina Adversária
A grande dificuldade de Marconi para 2026 tem nome e números. O primeiro obstáculo é a sua taxa de rejeição, que continua sendo o seu calcanhar de Aquiles. Embora mantenha um recall fortíssimo e um eleitorado fiel que o garante no segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto (orbitando a casa dos 25%), convencer o eleitor que mudou de lado a votar nele novamente exige uma ginástica retórica complexa.
O segundo obstáculo é o adversário. Diferente de outras campanhas, Marconi agora enfrenta a máquina pública sob o comando de Daniel Vilela, que surfa na alta aprovação deixada por Caiado e detém a chave do cofre do Estado. Fazer oposição a um governo bem avaliado e com as contas no azul é uma tarefa hercúlea.
O terceiro é a sua própria trincheira. O PSDB de 2026 não é a potência hegemônica dos anos 2000. Como presidente nacional da sigla, Marconi tem a missão de reconstruir um partido que encolheu e perdeu identidade na polarização nacional. Sobre esse desafio duplo, ele mantém o discurso de reestruturação focado na experiência:
“O PSDB tem legado, tem história e tem propostas. Nós estamos reconstruindo o partido ouvindo as bases, dialogando com os prefeitos e mostrando que temos quadros qualificados para governar.”
Resiliência e Pragmatismo
Apesar do vento contrário, subestimar Marconi Perillo tem sido um erro histórico de seus adversários. Ele é um debatedor feroz, conhece cada palmo dos 246 municípios goianos e sabe explorar as mínimas falhas da situação. Sua aposta é que, no desenrolar da campanha, o eleitorado comece a comparar entregas e sinta falta do seu perfil "tocador de obras". Para lidar com as críticas e o peso das derrotas passadas, ele adota a paciência estratégica resumida em sua frase mais célebre:
“O tempo é o senhor da razão.”
O Veredito Pragmático
Marconi Perillo entra no jogo de 2026 não como o franco favorito do passado, mas como o franco-atirador experiente. Sua jornada é uma corrida de obstáculos com barreiras altíssimas: precisa furar o teto da própria rejeição, revitalizar um partido enfraquecido e desmontar a narrativa de continuidade de um governo com dinheiro em caixa. Será uma batalha sangrenta por cada voto. Ele tem a história a seu favor, mas terá que provar aos goianos se o "Tempo Novo" ainda tem espaço no futuro do Estado ou se tornou, definitivamente, uma obra de prateleira.