Por Ricardo Mello
Em um cenário historicamente marcado pela pulverização de votos entre nomes ligados à segurança pública, o Subtenente Paulo Sérgio de Souza, presidente licenciado da ASSEGO, surge como uma das principais apostas da categoria para a Câmara dos Deputados em 2026. Desponta como o único policial militar da ativa pré-candidato a deputado federal por Goiás e carrega a articulação de cerca de 20 associações e sindicatos do setor.
Natural de Mozarlândia, no Vale do Araguaia, Subtenente Sérgio construiu trajetória na Polícia Militar de Goiás, na atuação classista e em projetos sociais. Documentos públicos também registram sua formação em Direito e Marketing, além da atuação como presidente da ASSEGO e diretor de articulação política da ANERMB.
A pré-candidatura ganhou novo peso após o presidente estadual do MDB, Haroldo Naves, anunciar publicamente o interesse do partido em tê-lo na disputa para deputado federal. Apesar disso, a definição partidária ainda não foi formalizada, algo que, no caso de militares, pode seguir dinâmica própria no calendário eleitoral.
Entrevista
Ricardo Mello — O senhor tem sido apresentado como o único representante da Polícia Militar da ativa na disputa por uma vaga de deputado federal em Goiás. O que isso representa?
Subtenente Sérgio — Representa responsabilidade. Durante muitos anos, os militares de Goiás tiveram força, tiveram voto, tiveram presença social, mas essa força se dividiu. Quando a categoria se pulveriza, ela perde capacidade de eleger alguém que realmente conheça sua realidade por dentro. A ideia agora é transformar convergência em representação. Não é um projeto individual; é um projeto de categoria, de segurança pública e de valorização de quem serve a população.
Ricardo Mello — O senhor acredita que essa união pode quebrar um tabu histórico dos militares goianos no Congresso Nacional?
Subtenente Sérgio — Sim. A categoria sempre teve expressão, mas faltou unidade. O diferencial deste momento é que há um entendimento maior entre associações, sindicatos e lideranças da segurança pública. A missão é levar para Brasília uma voz que entenda o policial, o bombeiro, a família militar e também o cidadão que depende de uma segurança pública forte.
Ricardo Mello — Quais serão suas principais pautas caso chegue à Câmara Federal?
Subtenente Sérgio — As pautas centrais são segurança pública forte, valorização da tropa, defesa da família, transparência, saúde, educação e desenvolvimento de Goiás. Isso passa por investimento em efetivo, equipamentos, estrutura, remuneração digna, plano de carreira justo, saúde mental dos profissionais da segurança e políticas públicas integradas. Essas bandeiras também aparecem na rede oficial de apoio do pré-candidato, que defende segurança pública, valorização militar, família, transparência, saúde, educação e desenvolvimento regional.
Ricardo Mello — O déficit de efetivo e a saúde mental dos militares aparecem como temas recorrentes. Como enfrentar isso em Brasília?
Subtenente Sérgio — O primeiro passo é reconhecer que segurança pública não se faz apenas com discurso. O policial que está na rua enfrenta escala pesada, risco permanente, pressão social e, muitas vezes, estrutura insuficiente. Em Brasília, é preciso atuar por leis, orçamento, programas nacionais de apoio psicológico, valorização profissional e fortalecimento das corporações estaduais. Quando o Estado cuida de quem protege, ele melhora a segurança de toda a sociedade.
Ricardo Mello — A relação com o governo estadual será de alinhamento ou independência?
Subtenente Sérgio — A relação deve ser institucional, respeitosa e independente. A categoria não pode oferecer cheque em branco a nenhum governo. O apoio político precisa estar vinculado a compromissos concretos com a segurança pública, com os militares e com suas famílias.
Ricardo Mello — Haroldo Naves anunciou o senhor como pré-candidato do MDB, mas seu partido ainda não foi oficialmente definido. Como está essa construção?
Subtenente Sérgio — O MDB manifestou interesse, e isso demonstra reconhecimento político. Mas a decisão partidária precisa ser tomada com responsabilidade, ouvindo a base, considerando a viabilidade eleitoral e respeitando as regras aplicáveis aos militares. O mais importante é que o partido escolhido compreenda as pautas da segurança pública e dê condições reais para que esse projeto represente Goiás em Brasília.
Ricardo Mello — O senhor é visto como um nome da segurança pública, mas quer falar apenas para militares?
Subtenente Sérgio — Não. A segurança pública é uma pauta de todos. Quando defendemos melhores condições para a tropa, defendemos também a família goiana, o comerciante, o trabalhador, o produtor rural, a mulher vítima de violência, o jovem vulnerável e o cidadão que precisa do Estado presente. A candidatura nasce da segurança, mas precisa dialogar com todo o povo de Goiás.
Ricardo Mello — Sua trajetória à frente da ASSEGO também é usada como vitrine política. Que marca o senhor pretende levar dessa gestão?
Subtenente Sérgio — A ASSEGO mostrou que uma entidade classista pode defender direitos, oferecer estrutura, apoiar famílias e atuar politicamente com responsabilidade. A entidade tem papel histórico no apoio a policiais e bombeiros militares; em sessão na Alego, Sérgio destacou a ASSEGO como pilar de apoio aos militares e suas famílias, afirmando que ainda há muito a conquistar, apesar dos avanços já obtidos.
Ricardo Mello — Em Porangatu, a Câmara aprovou doação de área para construção de sede social da ASSEGO. Isso indica expansão da entidade para o interior?
Subtenente Sérgio — Sim. A valorização da categoria não pode ficar concentrada na capital. O interior precisa de estrutura, presença institucional e apoio social. Em abril de 2026, a Câmara de Porangatu aprovou projeto autorizando a doação de uma área de 9.750 m² para a ASSEGO construir sede institucional, com finalidade social, recreativa, assistencial e institucional.
Ricardo Mello — Qual é o propósito maior dessa pré-candidatura?
Subtenente Sérgio — O propósito é dar voz a quem muitas vezes é lembrado apenas nos momentos de crise. O militar está na rua, no socorro, na ocorrência, no enfrentamento ao crime, na proteção da família. Mas, quando as leis são feitas em Brasília, muitas vezes essa realidade não está representada. A missão é construir uma ponte entre a tropa, a sociedade goiana e o Congresso Nacional.
Ricardo Mello — Para encerrar: por que o eleitor civil, que não é militar, deveria olhar para sua pré-candidatura?
Subtenente Sérgio — Porque segurança pública não é interesse corporativo; é condição para liberdade, desenvolvimento, família e cidadania. Um estado seguro atrai investimento, protege o comércio, fortalece escolas, dá tranquilidade às famílias e garante dignidade ao cidadão. Defender quem defende o povo é defender o próprio povo.