por Ricardo Melo
O Reino Unido corre o risco de se tornar um grande comprador de inteligência artificial sem conseguir influenciar seu desenvolvimento. O alerta está em uma carta do Conselho de Ciência e Tecnologia divulgada nesta segunda-feira (19). O documento, assinado por Angela McLean e Lord Browne, foi enviado ao ministro de IA, Kanishka Narayan, em 30 de julho.
Segundo a Reuters, a discussão ocorre em meio à corrida dos governos para reduzir a dependência de poucas empresas, sobretudo americanas, que dominam o setor. O conselho defende que os britânicos fortaleçam sua capacidade de decidir como a tecnologia será criada e utilizada.
As recomendações incluem um plano nacional de soberania em IA, coordenação por um único responsável e investimentos em profissionais, dados e pesquisa. O órgão propõe testar aplicações em saúde, educação e segurança nacional, com participação pública no desenho dos projetos.
Também sugere manter acesso aos modelos globais mais avançados e desenvolver capacidades próprias em áreas selecionadas. Entre as propostas a considerar está um modelo aberto de interesse público do Instituto Alan Turing.
O primeiro passo recomendado é mapear recursos, dependências e lacunas do setor para orientar investimentos e testes. As medidas são recomendações, sem anúncio de adoção no documento.
Foto: OIST/Jeff Prine. Angela McLean, arquivo de 2024, recorte. CC BY 2.0.