por Ricardo Melo
As contas do Governo Central fecharam setembro com superávit primário de R$ 4,839 bilhões, mas o saldo positivo do mês não apagou o déficit do ano. Entre janeiro e setembro, o resultado acumulado ficou negativo em R$ 90,2 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. Os dados foram divulgados na quinta-feira (29).
O indicador reúne Tesouro, Banco Central e Previdência Social e compara receitas e despesas sem incluir os juros da dívida. Em setembro de 2025, essas contas haviam registrado déficit de cerca de R$ 14,4 bilhões.
A receita líquida chegou a R$ 204,947 bilhões no mês, com crescimento de 13,6% acima da inflação sobre um ano antes. As despesas somaram R$ 200,108 bilhões, alta real de 2,4%. Segundo o secretário do Tesouro, Daniel Leal, a devolução de R$ 12,8 bilhões em precatórios cancelados pelo Judiciário contribuiu para o resultado. São valores de exercícios anteriores que retornaram aos cofres públicos.
Em 12 meses até setembro, o déficit primário foi de R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do PIB. A diferença entre o resultado mensal e os acumulados exige cautela: um mês de superávit não demonstra, sozinho, equilíbrio permanente das contas. A receita extraordinária tampouco deve ser tratada como entrada garantida para os próximos meses.
Foto ilustrativa de arquivo: Mendes Lima/Dourados Agora, 2018. Foto original · CC BY-SA 4.0. Recorte e composição sob a mesma licença; logomarca excluída.