GOIÂNIA, GO — O mercado literário e o cenário espiritual do Centro-Oeste ganharam um novo e impactante divisor de águas. em breve o lançamento do livro "Quando um Milagre Acontece!?", obra que compila três décadas de bastidores, conflitos espirituais e intervenções inexplicáveis documentadas pelo Pastor Paulo de Oliveira.
Quem circula pelos corredores da fé ou do jornalismo no estado de Goiás conhece a solidez do Pastor Paulo. Há 30 anos liderando a mesma comunidade em Anápolis, ele se consolidou como uma voz avessa ao espetáculo midiático e ao triunfalismo religioso. Conhecido pelo rigor no estudo da Palavra e por sua conduta de discrição, o líder espiritual surpreendeu o público ao decidir romper o silêncio dos arquivos de seu ministério para colocar no papel cicatrizes que viraram milagres.
A obra não é um manual de teologia abstrata. Pelo contrário: funciona como um diário de bordo de milagres cinematográficos, que vão desde a cura instantânea de um bebê desenganado com leucemia em São Paulo, passando por uma suspensão cirúrgica de um marca-passo na UTI cardíaca de Curitiba, até o intrigante e raro relato de uma provisão de peixes caídos do céu em um momento de extrema fome no interior paranaense, em 1980.
Nossa equipe de reportagem recebeu o autor com exclusividade no estúdio central da Rádio XYZ para uma entrevista densa, contundente e sem rodeios sobre ciência, dor e o comportamento do homem moderno diante do invisível. Confira os principais trechos abaixo:
A ENTREVISTA: “O homem moderno quer gerenciar Deus, mas o verdadeiro milagre exige a morte do ego”
Portal Rádio XYZ (Ricardo Mello): Pastor Paulo, o senhor passou 30 anos liderando uma igreja em Anápolis e vendo o sobrenatural acontecer no recôndito, longe dos palcos. Por que decidir publicar essas histórias justamente agora?
Pastor Paulo de Oliveira: Ricardo, o que me moveu foi ver que a fé, para muitos hoje, virou um produto sazonal, de conveniência ou de pensamento positivo. As pessoas estão adoecendo de inanição espiritual. O testemunho real não tem prazo de validade. Eu cresci vendo meus pais de joelhos no chão, chorando e lendo a Bíblia no interior do Paraná. Vi minha irmã bebê ser trazida do hospital para morrer em casa e ser curada na madrugada após uma oração de entrega do meu pai. O mundo precisa entender que Deus não mudou, Ele continua operando em maior escala na vida de quem crê com simplicidade.
XYZ: No capítulo três e no capítulo dez, o senhor confronta duramente o orgulho humano e o que chama de "vaidade religiosa". O senhor afirma que a fé autêntica não inflama o orgulho, ela o esvazia. Por que a sociedade atual tem tanta dificuldade com esse conceito?
Pastor Paulo: Porque o homem moderno quer o milagre, mas rejeita o altar. Quer o vinho, mas não aceita a disciplina do processo de encher as talhas. Querem ser os capitães dos seus próprios navios, mas entram em desespero quando a tempestade avisa a sua ação. Para que a luz de Deus apareça, o nosso "jarro" de orgulho precisa ser quebrado. Gideão venceu um exército de 135 mil homens com apenas 300, usando jarros quebrados e tochas acesas. Enquanto o homem estiver cheio de si, tentando negociar com Deus por meritocracia ou status, ele não vai provar a essência da graça, que é um favor totalmente imerecido.
XYZ: Como jornalista, eu preciso te confrontar com os relatos de cura do livro. O senhor documenta a reversão total de um câncer no sangue (leucemia) em um bebê e a restauração cardíaca da sua própria mãe em uma UTI. Como o senhor responde aos céticos que atribuem isso a erros de diagnósticos ou remissões espontâneas?
Pastor Paulo: O ceticismo ou o fato de alguém não acreditar nunca vai anular o milagre que aconteceu. O menino da leucemia hoje tem 12 anos e está completamente curado. No caso da minha mãe, o próprio médico responsável pela UTI cardíaca me chamou chocado, mostrou os novos exames e perguntou: "O senhor orou por ela? Não há mais necessidade de marca-passo". A medicina faz o papel dela, que é examinar, analisar e constatar. A fé faz o dela: crer. Não há debate ou confronto entre fé e ciência. Há constatação. Deus não depende de matéria-prima ou de lógica humana para intervir na história.
XYZ: No capítulo quatro, o senhor faz uma afirmação que parece um soco no estômago dos sobreviventes: "A esperança pode falhar, mas a fé não". Qual é a linha que divide esses dois sentimentos no meio de uma tragédia?
Pastor Paulo: A esperança é humana, ela se pauta pelo cenário, pelas expectativas visíveis. Quando o profeta Habacuque previu a destruição total da agricultura e da economia do seu tempo, a esperança faliu. Mas ele disse: "Todavia eu me alegrarei no Deus da minha salvação". Isso é fé. A fé é racional, é fundamentada na fidelidade e no caráter. Quando a esperança morre e o chão some debaixo dos seus pés, a fé se torna o próprio caminho. Ela te faz andar na direção do milagre sem ver milagre algum.
XYZ: O senhor relata um episódio extraordinário no capítulo doze, ocorrido em 1980 na cidade de Pedra Branca do Araraquara, onde peixes caíram no quintal da casa do seu irmão durante uma tempestade, logo após vocês clamarem por comida. O senhor chegou a pesquisar sobre isso depois?
Pastor Paulo: Sim, pesquisei e descobri que é um fenômeno meteorológico raríssimo. Mas veja bem: o vento e a chuva podem até ser explicados pela ciência, mas o que a ciência nunca vai explicar é o relógio de Deus. Como é que um fenômeno raro desses acontece no exato minuto em que dois servos, em profunda escassez, terminam uma oração de joelhos no chão pedindo mistura para o jantar? Para mim, isso não é coincidência; é provisão cirúrgica do Céu. O mesmo Deus que permitiu o deserto foi o que fez brotar o alimento.
XYZ: Para encerrar, Pastor Paulo. O senhor conta no livro que, quando seu filho tinha 14 anos, o carro da família desceu uma ladeira sem freio e em alta velocidade rumo a um enorme buraco, e parou milagrosamente após uma ordem profética da sua esposa. O milagre nos isenta da falta de vigilância ou da prudência diária?
Pastor Paulo: De forma alguma! Esse episódio me ensinou uma lição profunda. Mesmo quando falhamos por displicência ou falta de vigilância, o Senhor, em sua misericórdia, não nos abandona. Mas o milagre também nos ensina o caminho da responsabilidade. Tanto que meu filho só voltou a tocar em um volante anos depois, habilitado, com a CNH nas mãos e após passar pela autoescola. O sobrenatural de Deus serve para nos salvar no dia da angústia, mas ele sempre caminha lado a lado com uma consciência limpa, com a ordem espiritual e com a prudência no mundo natural.
SERVIÇO:
O livro "Quando um Milagre Acontece!?" estará disponível nas principais livrarias do estado e plataformas digitais. Uma leitura recomendada para quem busca entender a anatomia da fé real, despida de vaidades e ancorada em fatos que desafiam o tempo.