O debate eleitoral ganhou nesta terça-feira uma pauta que toca diretamente a rotina de milhões de brasileiros: a espera por atendimento no Sistema Único de Saúde. Ronaldo Caiado apresentou, em São Paulo, seu plano de governo para a saúde, com propostas de redução de filas, prevenção, digitalização de prontuários, atenção à saúde mental e priorização clínica dos pacientes.
A apresentação teve a presença do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que colaborou na formulação da agenda, segundo a Folha. O gesto tem peso político: Caiado busca associar sua candidatura a uma resposta técnica para o SUS e, ao mesmo tempo, destacar sua atuação favorável ao isolamento social na pandemia.
Há, porém, uma diferença que precisa ficar clara para o eleitor. As medidas anunciadas são propostas de campanha, não ações já contratadas ou em execução federal. A redução de filas e a integração de prontuários dependem de financiamento, adesão de estados e municípios, capacidade tecnológica e gestão de pessoal — desafios permanentes do sistema.
O anúncio reposiciona saúde como tema de confronto programático. Em vez de apenas disputar rótulos ideológicos, Caiado tenta usar a experiência de médico e ex-governador para discutir acesso, prevenção e eficiência. O teste será explicar como cada promessa chegaria à ponta: ao posto de saúde, ao hospital regional e à pessoa que aguarda uma consulta especializada.