O escorpião é pequeno, se esconde em frestas e costuma aparecer onde a cidade parece menos ameaçadora: um quintal com entulho, uma caixa de passagem, um ralo sem vedação. Em Goiás, ele continua sendo o principal causador de acidentes com animais peçonhentos. E Goiânia concentra o maior número de registros neste ano.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam 426 ocorrências na capital entre janeiro e julho. Formosa, com 267 casos; Itumbiara, com 227; Rio Verde, com 164; e Quirinópolis, com 134, aparecem na sequência. No conjunto do estado, foram 5.094 acidentes no período.
O total é cerca de 50% menor que o observado nos mesmos sete meses do ano passado, quando Goiás registrou 10.258 casos. A redução é positiva, mas não elimina o problema. A distribuição dos atendimentos revela que o risco permanece espalhado e exige vigilância constante, sobretudo em áreas urbanas onde a presença de abrigo, alimento e calor favorece a sobrevivência dos animais.
As espécies mais encontradas em Goiânia são o escorpião-amarelo e o marrom. A recomendação de prevenção é conhecida, mas precisa sair do papel: limpar quintais, evitar acúmulo de materiais, controlar baratas, vedar ralos e fechar frestas. Escorpião encontrado não deve ser tocado; crianças e animais domésticos devem ser afastados.
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento de saúde imediatamente. Torniquete, cortes, perfurações e substâncias caseiras não são recomendados. Até a atualização dos dados, Goiás não havia registrado morte por picada de escorpião em 2026; em 2025, foram dois óbitos.
A leitura mais útil desses números não é a do medo, mas a da prevenção. Um acidente pode começar em um espaço doméstico banal. A resposta mais eficiente também começa ali: ambiente limpo, acesso rápido à informação e atendimento sem demora.