por Ricardo Melo
A vacina brasileira Vivaxin poderá avançar para os primeiros testes em humanos após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo foi apresentado neste sábado (10) com participação do Ministério da Saúde. A pesquisa mira o Plasmodium vivax, parasita responsável pela maior parte dos casos de malária no Brasil.
O produto é desenvolvido pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, em colaboração com a USP e o laboratório Cristália. A anuência foi concedida nesta semana e permite realizar a pesquisa clínica. Ainda não há liberação para vender ou aplicar a vacina à população.
Na fase inicial, o protocolo prevê 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, sem histórico de infecção por malária. Eles receberão diferentes dosagens da candidata ou placebo, em três aplicações separadas por 28 dias. O acompanhamento previsto é de 360 dias no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
A etapa avaliará segurança, possíveis reações e resposta imunológica. A capacidade de proteger contra a doença dependerá de pesquisas posteriores. O Ministério da Saúde prevê R$ 12 milhões de incentivo para as três fases dos ensaios clínicos.
Os próximos resultados orientarão a continuidade do desenvolvimento. As duas vacinas contra malária atualmente recomendadas pela OMS têm como alvo outra espécie, o Plasmodium falciparum. A Vivaxin busca preencher essa lacuna, ainda em caráter experimental.
Foto: Rick Jan Kluitenberg/Wikimedia Commons (P. vivax, arquivo de 8/6/2014, Hoorn, Países Baixos). Foto e adaptação com recorte: CC BY-SA 3.0. Marca XYZ não abrangida.