Executiva se reúne quinta-feira após prefeito de Anápolis apoiar Daniel Vilela; filiado terá direito de defesa.
O apoio declarado pelo prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, à candidatura de Daniel Vilela, do MDB, ao governo de Goiás abriu uma crise dentro do PL. A direção estadual convocou a Comissão Executiva para quinta-feira, 27 de agosto, quando deverá avaliar a abertura de processo disciplinar e a eventual expulsão do prefeito.
Márcio foi eleito em 2024 pelo próprio PL, que agora tem Wilder Morais como candidato ao Palácio das Esmeraldas. A manifestação em favor de um adversário ocorreu sábado, durante ato político realizado em Anápolis. Para a direção estadual, a conduta pode contrariar o estatuto partidário, que estabelece regras para filiados quando a legenda possui candidatura própria na eleição.
A reunião, porém, não equivale a uma expulsão já decidida. Márcio terá direito de apresentar defesa, contestar o enquadramento e explicar as circunstâncias políticas que motivaram seu apoio. A Executiva deverá examinar o caso e escolher entre as medidas previstas nas normas internas.
A disputa revela uma tensão que vai além de uma questão disciplinar. Anápolis é o terceiro município mais populoso de Goiás e tem peso econômico e eleitoral expressivo. O apoio de seu prefeito fortalece a estratégia de Daniel Vilela de reunir gestores municipais, mas produz um problema para Wilder: um dos principais nomes eleitos pelo PL no estado decidiu caminhar com o adversário.
A direção partidária também tenta preservar sua estrutura local. Em nota, destacou a participação de vereadores, filiados e militantes na eleição de Márcio e informou que o PL continuará organizado em Anápolis, independentemente da posição do prefeito.
O fato confirmado é a convocação da reunião e a possibilidade de medidas disciplinares. A expulsão ainda não ocorreu e dependerá de procedimento interno. Também será necessário acompanhar se Márcio permanecerá no partido, se buscará outra legenda e como a decisão afetará vereadores e candidatos do PL no município.
Em campanha, apoios municipais funcionam como sinal de força. Neste caso, o movimento favorável a Daniel também virou um teste de autoridade para a direção de Wilder.